Depois de um intervalo, o All Folks Fest retoma, neste 2013, as entrevistas com talentosos e ainda obscuros nomes do folk atual.
E esse retorno é arretado. Imagine você que o percurso Salvador - Vitória da Conquista - Dublin deixou no caminho um punhado de canções bonitas, todas assinadas pelo jovem Ian Kelmer.
Para não nos estendermos, deixemos que o rapaz explique, por conta própria, a que veio e como planeja dominar o mundo com melodias cativantes.
Aproveita para conferir aqui mais entrevistas com nomes imperdíveis da cena atual.
All Folks apresenta: Ian Kelmer
1. Quem é o Ian Kelmer, onde mora e o que faz atualmente?
Musicalmente falando acho que esse rapaz não passa de um aventureiro. Estou passando um tempo em Dublin, na Irlanda, onde tento aprender inglês e, sei lá, passar por outros momentos. Talvez viver seja como jogar aquele jogo do Mega-Drive, Street of Rage, lembra? Quando a gente vai para uma fase diferente nunca sabe o que vêm pela frente. 
2. Origem do projeto
Eu me envolvi muito cedo com punk e hardcore em Salvador. Há dez anos atrás comecei a trabalhar voluntariamente para um site bem legal na época chamado Bahiarock onde eu ficava informalmente responsável pela “editoria do submundo”. Toquei em algumas bandas também. Foi um período muito bom em que muita coisa acontecia, muitas bandas de todo o país circulavam, tive acesso a muitas ideias e práticas que certamente não teria tido se tivesse tomado outros caminhos e eu sempre abro um sorriso bobo quando lembro disso, mas sem entrar na paranoia saudosista.
3. Quando percebeu que gostava da sonoridade folk e quis fazer algo no estilo?
Pois é, aí nessa brincadeira de misturar jornalismo e música eu fui fazer faculdade no interior da Bahia, em Vitória da Conquista e me vi, de repente, sem banda. Só com o meu velho violão de nylon. Eu pensava toda hora na época, “pô, bicho, o que eu posso fazer só com um violão? Que sem-graça!” Mas aí eu fui descobrindo alguns caras que na época estavam fazendo essa transição entre a música caótica do punk para sons acústicos e bem simples de se tocar. Eu me senti um pouco confortado e nem sabia se era “folk” ou não essa estória. Para mim era e continua sendo só música de violão. Depois de um bom tempo juntando dinheiro, tomei coragem e finalmente gravei um punhado de sons no ano passado com a presença de pessoas que passei a admirar bastante.

4. Principais influências
Puts. Minha mãe fala que eu pedia para ela colocar Djavan descendo de São Paulo para Praia Grande, onde morávamos. Eu cresci indo para a praia todo fim-de-semana em Salvador num Fiat 147 ouvindo Pink Floyd, Jethro Tull e Black Sabbath numa fita-cassete preta e laranja que o meu pai militarmente colocava. O primeiro disco que eu pedi de presente foi O Grande Encontro Vol. I. Já curti muita coisa trash da indústria também. Passei um bom tempo na terra de Elomar e Xangai. Por aqui tive a chance de trocar ideia com o James Vincent McMorrow, Chuck Ragan, Kevin Seconds e com alguns buskers celticos. Tudo isso, lugares, pessoas e momentos, são influências, né? Agora na hora de tocar, por falta de dedicação e habilidade, acaba saindo tudo bem simples e toda essa pretensa vastidão fica bem miúda, um pedaço de quase nada espontâneo.
5. Cinco álbuns definitivos
E agora? Definitivo nesse instante…
Johnny Cash – Live at Folsom Prison
Colligere – Incerto
Lisa Hannigan – Sea Sew
Roberto Ribeiro – Coisas da Vida
Jason Isbell and the 400 Unit - Here We Rest
6. Três músicas que o inspiraram
O que me ocorre agora pode ser…
Zé Ramalho – Admirável Gado Novo
Jakob Dylan – Everybody is Hurting
Lumpen – Palavras sinceras não são agradáveis de se ouvir

7. Quais as dificuldades enfrentadas por ser um artista independente e de que maneira contornar isso?
Não sei se respondo bem essa porque na verdade o que fiz foi tocar em meia dúzia de bares e gravar algumas músicas. Esforços bastante modestos comparados aos de quem dedica a vida para construir um cenário vivo. Mas acho que buscar a seriedade no que se faz, sem más intenções e com o pé bem no chão sempre pode ser um caminho produtivo.
Ouça Ian Kelmer
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